Julia, vila dancante, praia, trabalho…

By julho 16, 2011blog

Fomos a um orfanato. Fica num belo, antigo  e coloridio casarao na praia. Muros verdes com desenhos que tinham dizeres assim:

 

 Fiquei impressionada com a beleza e qualidade da construcao, em comparacao com o padrao visto por mim ate entao. Paredes bem pintadas, algumas com figuras com temas infantis. Uma escada de madeira levava ao andar dos bebes. Ao entrarmos, criancas de 3, 4 anos correram sorrindo e dizendo “Tia! Tia!”. Abracavam-nos apertado nas pernas, nao desperdicando nenhum segundo da atencao que tanto ansiavam. Alguns ficaram embaixo para brincar com eles. Subi com Mariah, uma das voluntarias, para ver os bebes. Havia um corredor com alguns quartos grandes, com bercos. Fui ate uma sala, tambem grande, com varias mesinhas e uma cozinha ao fundo. Fui apenas para conhecer, mas imediatamente um bebe me foi entregue para alimentar. Peguei a papinha, o bebe embrulhadinho num cobertor e comecei. Acho que a calca dele estava preenchida, se e que me entendem. A questao e, havia um cheio com o qual nao sei lidar. Minha quierida irma sabe disso. Nao e frescura, e biologico. Pensava: controle-se, Isabella. Comecei a colocar a colherzinha de plastico na boca daquela crianca, pensando que eu era tudo o que ela tiha naquele momento e que precisava da comida. Quase que como intervencao divina, parei de sentir o cheiro e so o momento recebia atencao. Ao terminar, levei-o ate a janela e vimos o mar por alguns minutos. Coloquei-o de volta no berco, era hora de ir.
Depois dali fomos ajudar numa aula de ingles. Caca um ficou responsavel por dois alunos. Falamos sobre escola, tempo livre, comida, musica (um deles disse que gosta de Restart e Luan Santana; nem tudo sao flores) Mocambique, Brasil, relacionamentos (first kiss, haha) e outras coisas. Foi bem divertido.
 No outro dia voltamos ao orfanato. Descobri que vamos la todos os dias. Fomos recebidos da mesma forma calorosa. Fui ao quarto e peguei um bebe bem pequenininho. So depois descobri que era uma menina chamada Julia. Tao pequenina que eu tinha medo de segurar. Comecei a lhe dar comida, mas era dificil pois nao abria a boca. Fazia um biquinho e sugava. Era tudo o que conseguia, enquanto olhava pra mim com aqueles grandes olhos negros. Claro, tinha apenas 9 meses. Queria, na verdade, leite. Queria se alimentar no corpo da mae. Infelizmente, nao podia, tiha que se fortalecer com aquela papinha. Ela nao tem culpa. E tambem nao tinha culpa da minha falta de jeito. Aos poucos fomos nos entendendo melhor. Naqueles minutos que passei com ela pensei em varias coisas. Orfanatos existem em qualquer lugar. Pensei em quantas criancas crescem sem o apoio material e emocional de uma familia. Pensei que algumas nem em orfanatos estao. Apesar das poucas mulheres que trabalham e de outras dificuldades, ai pelo menos havia comida, roupas, brinquedos, seguranca. Pensei, principalmente, nela. O que sera da Julia daqui ha alguns anos? Ela sera? Muitos dos bebes e criancas desse orfanato sao HIV positivo, nunca se sabe… No final das contas consegui administrar o processo alimenticio e a danadinha comeu quase toda a tigela. Parti.
Pela tarde fomos a uma vila construir bancos de madeira. Cheguei e me encantei imediatamente com uma cena: embaixo de uma arvore, mulheres com seus cadernos no colo estavam sentadas no chao , na frente de um quadro negro. Duas classes, uma do lado da outra, portugues e matematica. Olhavam atentas para o quadro e registravam em seus cadernos. Do lado esquerdo, repetiam em coro “5×5, 5×6, 5×7…”. Uma graca!
 
 Chamamos alguns meninos para ajudar a construir os bancos e fiquei impressionada com a habilidade.
 

 Comecou a chover fininho… Que delicia! E o trabalho nao parava. As estudantes foram para uma area coberta. As criancas continuavam brincando na chuva com a Meredith, uma das voluntarias. Fiz algumas brincadeiras para tirar foto e as criancas adoraram. Cameras fotograficas realmente despertam toda sua curiosidade.

Na hora de ir embora, comecaram a cantar uma musica local bem alto, batendo palmas. Dancaram e dancamos junto. Um dos momentos mais marcantes ate agora.

 Quinta almocamos na praia. Tiramos muitas fotos e foi uma delicia.
 

Depois da praia fomos para uma vila ensinar a costurar mochilas. Minha aprendiz foi extremamente atenta e cuidadosa. De tempos em tempos paravamos para que amamentasse seus pequenos gemeos, ou para que prendesse um ou outro nas costas de seus filhos mais velhos. Muitas, mas muitas criancas mesmo carregam bebes nas costas. Alem disso, a atencao que dao para os irmaos e impressionante. Realmente se preocupam com eles.



Brincamos tanto com as criancas.. Foi, provavelmente, mais divertido que na vila dancante. Levei uma corda para pularem, achando que seria novidade. Quao grande foi a minha surpresa ao ver que eles tem toda uma cultura de pular corda. Bonito de ver. Fiz varios videos, de quase todas essas coisas que conto. Mas a internet aqui e lenta e oscilante, nao da para fazer o upload. Tambem dancamos muito, brincamos de correr, entre outras coisas.

  Esses dias tao produtivos me fazem pensar quanto tempo eu ja perdi na vida.

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